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segunda-feira, 1 de março de 2010

Solidariedade de classe

Conlutas enviou segunda remessa para o Haiti no valor de R$ 58.728,90; já se prepara para a terceira

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A Conlutas fez uma nova remessa para a organização operária e popular do Haiti, Batay Ouvriye. Desta vez, o valor foi de R$ 58.728,90. Essa já é a segunda remessa enviada pela entidade. Desta vez, com doações arrecadadas em locais de trabalho, escolas, comunidades e durante mobilizações que ocorreram no período.

A primeira doação, enviada na segunda semana de fevereiro, foi de R$ 104.838,65, o que, somada a esta, totaliza envios de R$ 163.567,55.

Mal fez a segunda remessa, nossa entidade já se organiza para a terceira, que também virá de trabalhadores que aprovaram doações com desconto em folha de pagamento.

A campanha da Conlutas é considerada uma grande vitória de expressão da solidariedade de classe e da mobilização pelo fim da ocupação militar no Haiti. Em cada um dos lugares onde foi realizada a campanha, esses dois pontos foram o centro do nosso discurso: fazer envio para organização de luta dos trabalhadores e popular para que possam, além de batalhar pela sua própria sobrevivência, começar a reorganizar suas entidades de classe que lutam pela soberania de seu país contra o imperialismo e seus governos aliados.

Veja as doações:

CONSTRUÇÃO CIVIL DO PARA = 1.000,00

SINDSEF - SP = 5.000,00

SUB-SEDE - APEOESP LAPA = 1.000,00

MUNICIPAIS DE JACAREI = 1.000,00

MUNICIPAIS DE BAURU = 1.000,00

FEDERAÇÃO METALÚRGICA DE MG = 3.000,00

COMERCIÁRIOS DE NOVA IGUAÇU = 10.000,00

CONSTRUÇÃO CIVIL DO CE = 1.000,00

CNESF = 20.000,00

CONLUTAS AP = 400,00

SINTRAJUD - SP = 5.000,00

ANEL = 261,40

ADMAP = 6.000,00

MUNICIPAIS DE SANTO ANDRÉ = 1.000,00

CENPES (Const. Civil Emprend. Petrobas) = 268,65

CONTRIBUIÇÕES INDIVIDUAIS = 3.017,85

Obs:

Na primeira remessa foi enviado: R$ 104.838,65 + IOF R$ 398,38 = R$ 105.237,03

FICOU SALDO DE R$ 5,02

Na segunda remessa: R$ 58.952,92 + IOF R$ 224,02 = R$ 58.728,90

Redaçaõ Conlutas

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Reunião Comitê de Solidariedade com o Povo do Haiti dia 01 de março de 2010

ESTAMOS CONVOCANDO O COMITE DE SOLIDARIEDADE DO HAITI NO RIO PARA UMA REUNIÃO NO SINDIPETRO-RJ AS 18:00

INFORMES DA REUNIÃO DE SÃO PAULO DO COMITE NACIONAL (23/2)

E CONTINUAÇÃO DA CAMPANHA FINANCEIRA E ATIVIDADES POLITICAS (DEBATES E ATOS QUE FORTALEÇAM A CAMPANHA DE APOIO AOS HAITIANOS)


COMPAREÇAM,
SAUDAÇÕES,

JULINHO- CONLUTAS-RIO E SANDRA QUINTELA - JUBILEU SUL

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Letra da Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Haiti


Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão

Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ao povo do Haiti

fonte:http://www.fsm.com.br/web/portal/images/stories/banner_haiti.jpg

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Organização haitiana Batay Ouvriye: chamado à solidariedade

Nota do Batay Ouvriye:


Chamado à solidariedade ante ao fatal terremoto que sacudiu Porto Príncipe, Haiti, em 12 de janeiro de 2010

• O terremoto de 12 de janeiro que abalou Porto Príncipe feriu profundamente a nós, o povo haitiano.


Além dos edifícios públicos, os bairros populares foram os mais destruídos. Não é surpreendente, são os mais fragéis, os mais instáveis: o Estado nunca nos propiciou nenhum serviço, nenhuma consolidação, nenhuma atenção. Ao contrário, sempre querem nos expulsar, deslocar, desta forma não temos nem tempo nem capacidade para consolidar nossa situação tão precária.

Enquanto alguns capitalistas tratam de forçar os operários a voltarem ao trabalho em fábricas ainda danificadas, enquanto os donos dos grandes comércios se opõem em distribuir suas mercadorias e as vendem a alto preço, enquanto o Estado mostra e demonstra novamente, como sempre, sua ausência, sua incapacidade e incompetência (a única coisa que sabem fazer é roubar e manobrar, apoiando os proprietários, os burgueses e outras multinacionais); enquanto a polícia nacional brilha por sua ausência (a única coisa que sabem fazer é reprimir o povo); enquanto as forças imperialistas estão claramente aproveitando-se da ajuda que dão para estabelecer uma evidente e, em sua intenção, definitiva tutela... operários, trabalhadores de todo tipo, massas populares em geral sofrem, extremamente dependentes, nesta situação catastrófica.

Alguns órgãos de imprensa têm estimulado o desenvolvimento de aspectos progressivos ao permitirem, por suas emissoras, o mínimo de coordenação no terreno, vários comitês populares estão trabalhando sem descanso para fazer todo o possível, mas: não há meios, não há capacidade de intervenção! Na verdade, este terremoto, além de ter nos massacrado, física e moralmente, supera em muito nossas capacidades populares de intervenção.

No Batay Ouvriye (Batalha Operária), apesar de seus quadros estarem em sua maioria vivos, muitos perderam familiares, casas, os escassos bens... muitos estão feridos, estropiados, enquanto temos que enterrar nossos mortos, sobreviver enquanto já é quase impossível.

Na medida do possível, recusamos passar pelas vias oficiais e governamentais de subministros. No entanto, a situação chega a ser impossível de se sustentar! Por isso, hoje, lançamos um CHAMADO DE SOLIDARIEDADE a todos os operários, todos os trabalhadores, todos os progressistas conseqüentes em todo o mundo para ajudar-nos a sair desta tão catastrófica situação.

De acordo com um inventário feito até agora, estas são as nossas necessidades:

Casas destruídas: US$ 50,000.00

Perda de bens: US$20,000.00

Feridos: US$10,000.00

Para sobreviver hoje: US$30,000.00

Gastos com mortos: US$10,000.00

Total US$120,000.00

A este total se deve acrescentar cerca de 40% devido à inflação galopante e que até agora não se sabe pra onde vai. Com isso, o total fica em aproximadamente US$170.000,00.

Depois da última grande mobilização em torno do salário mínimo, desenvolvemos vários contatos novos de camaradas operários valentes e coerentes. Vivem em bairros distantes, às vezes longes um do outro. Temos também que chegar a eles com nossa solidariedade ativa. Isso aumentará substancialmente os gastos. Por outro lado, nas zonas onde vivem os nossos militantes, algumas ações comunitárias de solidariedade popular têm ocorrido. Temos que nos envolver mais nelas para atrair aí nossas energias organizativas e, com isso, as orientações necessárias. Assim que seja possível (e, justamente, tendo à mão certa capacidade de intervenção mais concreta) oferecer novas iniciativas que serão em si (e no possível) resistência às formas de reconstrução que as classes dominantes se propõem realizar. Isso também vai requerer dinheiro. Considerando esses distintos tipos de ações e solidariedade, podemos dizer que o que necessitamos agora mesmo é, como total mesmo, uma soma de US$ 300.000,00.

Isso é o que nos permitirá sobreviver por agora, ajudar outros trabalhadores combatentes e conscientes a resolverem alguma coisa de sua vida concreta, e construir uma direção política na luta de classes que segue por cima dos escombros. Este último aspecto deve se desenvolver, se possível, rapidamente para conseguirmos reunir um máximo de força possível contra a um outro tipo de catástrofe que nos espera: a que os imperialistas, as classes dominantes e seu Estado reacionário estão nos preparando.

Agradecemos antecipadamente todos aqueles que se propõem em contribuir. O momento pede esta SOLIDARIEDADE internacional de classe. Se possível, ela, então, ajudará a aproximar, ainda mais ou inicialmente, avançando em nossa luta comum.

Para quem pensa mandar essa ajuda em espécie (medicamentos, água, comida, roupa, camas, cadeiras... ) o endereço de nossa sede em Porto Príncipe é: Batay Ouvrie, Delmas 16, #13 bis.

Para quem preferem mandar dinheiro, nossa conta bancária é:

Banco: City National Bank de Nova Jersey

Endereço: 900 Broad Street, Newark, NJ 07102

Número ABA: 0212-0163-9 Cidade de Newark, NJ


Para o crédito de:
Número da Conta: 01 000 98 45
Nome da Conta: Batay Ouvriye
Conta Endereço: Avenida João Paulo II, # 7

Naturalmente, deixaremos público a todos e cada um, a soma de dinheiro que recebermos em cada momento, e igualmente quanto custará cada atividade ou ação empenhada.

Batay Ouvriye
Porto Príncipe, 20 de janeiro de 2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Argentinos marcham em rechaço à presença de tropas estrangeiras no Haiti


Presentes no país caribenho desde 2004, sob comando do Brasil, os soldados que formam parte da suposta ‘missão de estabilização’ da ONU seguem sendo alvo de protestos. Após o terremoto, a ingerência estadunidense intensificou-se no Haiti e, em todo o mundo, são muitas as ações que pedem sua retirada imediata. Amanhã (05), às 18h, em Buenos Aires, Argentina, acontece uma marcha de solidariedade aos haitianos e às haitianas desde a Praça Itália até a Embaixada dos Estados Unidos.

A atividade é convocada pela Convergência de Esquerda, Frente Obreira e Socialista, Esquerda Socialista, Movimento Socialista dos Trabalhadores, Novo MAS, Partido Obreiro, Partido Comunista dos Trabalhadores e Partido dos Trabalhadores Socialistas.

Ademais de rechaçar a ocupação militar estrangeira no país e expressar solidariedade com povo haitiano, a marcha tem o objetivo de pedir a anulação imediata da dívida externa e a desocupação das tropas da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).

De acordo com informações divulgadas por agências de notícias, a Minustah tem mais de 12 mil efetivos de diversos países no país caribenho. Somente Estados Unidos têm mais de 13 mil militares no local e controla o aeroporto internacional de Porto Príncipe.

No entanto, a presença de tropas estrangeiras não é exclusividade do Haiti. Ainda há bases militares estadunidenses em outros países caribenhos e latino-americanos, como em Cuba, Panamá, Porto Rico, Honduras e Colômbia.

Ademais, França também contribui para a militarização da região. Segundo agências de notícias, o país tem bases aéreas, navais e terrestres em Guiana Francesa, Martinica e Guadalupe. Na região caribenha, há pelo menos 8.000 efetivos do país europeu.

Fonte: Adital

Campanha de solidariedade com o Povo do Haiti

ENTREVISTA AL COMPAÑERO JEAN PIERRE RICOT - para el reporte de la Minga Informativa de Movimientos Sociales.

- Además encontrarán más noticias de movimientos de toda la región-
Puedes escuchar el programa en línea o descargarlo http://radioteca.net/result.php/13030094

COBERTURA ESPECIAL EN HAITI – AGENCIA PULSAR

Encontrará informes, noticias, testimonios y fotos de esta cobertura.

La Agencia Púlsar realiza una cobertura especial sobre la situación en el país caribeño junto a la Asociación Latinoamericana de Educación Radiofónica (ALER) y a la Unión Dominicana de Emisoras Católicas (UDECA).

Además, AMARC Internacional lanzó un llamado a las radios comunitarias del mundo para redoblar su solidaridad con el pueblo haitiano.

En ese marco, AMARC Internacional realiza una misión para colaborar con la reconstrucción de las radios comunitarias afectadas por el terremoto del 12 de enero pasado.

http://www.agenciapulsar.org/ - pulsar@agenciapulsar.org

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Haiti. Comunicado das organizações populares: As perspectivas após a catástrofe

“Honra e respeito à população de Porto Príncipe! Foi a extraordinária solidariedade manifestada pela população da região metropolitana que durante os três primeiros dias depois do terremoto respondeu com a auto-organização construindo 450 campos de refugiados que contribuíram para salvar milhares de pessoas graças ao fato de partilharem de forma comunitária todos os recursos disponíveis (alimentos, água, roupas)”.


O relato é do comunicado redigido por uma série de organizações populares do Haiti acerca da catástrofe que atingiu o país. As organizações declaram também sua “indignação frente à utilização da crise haitiana para justificar uma nova invasão de 20 mil marines norte americana (...) não aceitamos que o nosso país seja transformado em uma base militar”, afirmam elas.


A tradução é do Cepat.- curitiba, Parana


Eis o comunicado.

A todos os nossos aliados:

No dia 12 de janeiro de 2010, um terremoto de enorme violência atingiu nosso país com consequências dramáticas para as populações de vários municípios dos Departamentos do Oeste, do Sudeste e do conjunto do país. Este terremoto de magnitude 7,3 na escala Richter e as perdas irreparáveis que provocaram enlutaram nosso país deixando dores insuportáveis. Este drama que nos afeta hoje é sem dúvida alguma um dos mais graves de nossa história e a causa de um traumatismo profundo que marcará o século XXI haitiano.

Os balanços parciais até aqui tentam medianamente expressar uma realidade espantosa e indizível: o horror que vivemos juntos durante estes 35 segundos intermináveis que, em 12 de janeiro, deixou um pesado tributo de dores e de lágrimas. Mais de 150 mil mortos, 500 mil feridos, mais de um milhão sem teto, dezenas de milhares de amputados, mais de 300 mil pessoas refugiadas, mais de três milhões de seres devastados que, em um minuto, viram transformar para sempre suas vidas, suas famílias e suas sociedades. Uma sociedade inteira traumatizada que vive no medo permanente de um possível novo terremoto.


Todas nossas organizações foram profundamente sacudidas por este acontecimento. Perdemos familiares, companheiros de trabalho, crianças, jovens, profissionais cheios de promessas, de sonhos e de capacidades, edifícios, equipes, ferramentas de trabalho e uma documentação imensa baseada em mais de 30 anos de experiências coletivas com as organizações e as comunidades de base. As perdas são imensas e irreparáveis.

É indispensável apesar da dor que todos e todas sentimos refletir sobre o que acaba de acontecer e tirar dessa experiência trágica as lições e as orientações que nos permitam continuar com o nosso incansável trabalho de construção de outro país capaz de vencer o ciclo de desgraça e dependência e de se colocar à altura dos sonhos de emancipação universal de seus fundadores e de todo o povo haitiano.

O tamanho do desastre está vinculado sem duvida alguma a natureza do Estado em nosso país, uma herança histórica colonial e neocolonial e a implementação das políticas neoliberais ao longo das últimas três décadas. A hipercentralização ao redor da ‘República do Porto Príncipe’ definida pela ocupação norte-americana de 1915 é sem dúvida um dos fatores determinantes. Em particular, a liberalização completa do mercado dos bens imobiliários abriu um espaço de especulação desenfreada aos aproveitadores de todo tipo.


comove-nos profundamente a extraordinária solidariedade manifestada pela população da região metropolitana que durante os três primeiros dias depois do terremoto respondeu com a auto-organização construindo 450 campos de refugiados que contribuíram para salvar milhares de pessoas graças ao fato que partilharam de forma comunitária todos os recursos disponíveis (alimentos, água, roupas). Honra e respeito à população de Porto Príncipe! Estes mecanismos espontâneos de solidariedade devem desempenhar um papel essencial no processo de reconstrução e de re-conceitualização do espaço nacional.


Enviamos esta carta a nossos colaboradores das diversas redes nacionais e internacionais, das quais fazemos parte, com o objetivo de informar sobre os passos que temos dado e sobre nossos objetivos a curto, médio e longo prazo.

Faz mais de uma semana nosso grupo de organizações e de plataformas se reúne com frequência com o objetivo de fazer frente a esta nova situação definindo novas estratégias e implementando novas maneiras de trabalhar. Assim, nós, os responsáveis das organizações e plataformas que assinamos esta carta, depois de vários encontros para analisar a nova situação e definir estratégias comuns adotamos uma posição baseada nos seguintes eixos:

- Contribuir para preservar os principais êxitos dos movimentos sociais e populares haitianos ameaçados pela nova situação;

- Contribuir na resposta às necessidades urgentes da população organizando centros de serviços comunitários capazes de responder de forma adequada às seguintes necessidades: alimentação, atenção a saúde primária, assistência médica e psicológica em resposta aos traumas sofridos no momento do terremoto;

- Aproveitar o fato de que os grandes meios de comunicação olham nosso país para difundir uma imagem diferente da projetada pela forças imperialistas;


- Implementar novas formas de atuar que permitam superar a atomização e a dispersão que constituem uma das principais debilidades de nossas organizações. Este processo de aproximação deve se constituir com a estruturação de um espaço comum que possa acolher provisoriamente nossas seis equipes que continuam trabalhando de modo autônomo uma vez que implementaram mecanismos permanentes de intercâmbios e de trabalhos mutualizados. Estaremos atentos em fazer prevalecer um enfoque coletivo na busca de respostas comuns a nossos problemas na construção de uma alternativa democrática popular efetiva e viável.



Quanto à situação de urgência, estamos instalando centros de serviços. Um de nossos centros já implementado e em operação acolhe 300 pessoas que recebem comida duas vezes ao dia e estão protegidas sob tendas.


oferece também consultas médicas e acompanhamento psicológico. Estes serviços são também proporcionados as pessoas que moram nos campos de refugiados na região. No centro da avenida Popupelard funciona graças ao apoio de profissionais haitianos (médicos, enfermeiros, psicólogos, trabalhadores sociais) apoiados por médicos alemães da organização de socorro Cabo Anamur. Tratamos de instalar centros similares em outros bairros da região metropolitana duramente afetadas pelo terremoto nos quais não existe nenhuma oferta de serviços dessa natureza. Instalaremos 4 nos bairros de Carrefour (Martissant, Fontamara) e de Gressier. Contamos com a solidariedade de todos nossos colaboradores para assegurarmos um funcionamento eficiente.


Ao mesmo tempo, nossas 2 plataformas e 4 organizações instalaram um ponto focal de encontros e de coordenação no local de FIDES-Haïti. Estamos dispostos a acolher nesse espaços novas plataformas e organizações do movimento democrático popular. Comprometemo-nos em mobilizar os diferentes componentes desse movimento para ampliar os esforços para socorrer aos sobreviventes e, de outro lado, para formular um plano comum para a reabilitação de nossas instituições e organizações. Apresentaremos esse plano e os projetos concretos que o acompanham brevemente.


A ajuda urgente da qual participamos é alternativa e temos a intenção de desenvolver um trabalho de denúncia das praticas tradicionais em matéria de intervenções humanitárias, as quais não respeitam a dignidade das vítimas e se inscrevem no marco de um processo de fortalecimento de nossa dependência. Lutamos por uma ajuda humanitária adaptada e respeitosa a nossa cultura e de nosso entorno e que não destrua as construções de economia solidária elaboradas faz várias décadas pelas organizações de base com as quais trabalhamos.

Para terminar queremos saudar, a extraordinária generosidade da opinião publica mundial manifestada pelo drama que vivemos. Somos gratos e acreditamos que é o momento de construir um novo olhar sobre o nosso país que permita construir uma solidariedade autêntica livre dos reflexos paternalistas de piedade e inferiorizarão. Deveríamos trabalhar para manter esta vigorosa solidariedade para além da excitação midiática. A resposta à crise demonstra que em certas situações os povos do mundo são capazes de ir para além das leituras superficiais e estereotipadas de corte sensacionalista.

A ajuda humanitária massiva é hoje indispensável dada a amplitude da catástrofe, mas deve ser estruturante articulando-se com uma visão diferente do processo de reconstrução. Deve romper com os paradigmas que dominam os circuitos tradicionais da ajuda internacional. Desejaríamos ver nascer brigadas internacionalistas de solidariedade que trabalhariam junto com as nossas organizações na luta pela realização de uma reforma agrária e de uma reforma territorial urbana integrada à luta contra o analfabetismo e para repovoação florestal, na edificação de novos sistemas educativos e de saúde universais, descentralizados e modernos.

Devemos também proclamar nossa cólera e nossa indignação frente à utilização da crise haitiana para justificar uma nova invasão de 20 mil marines norte americana. Denunciamos o que pode converter-se em uma nova ocupação militar, a terceira de nossa historia por tropas norte-americanas. Inscreve-se obviamente na estratégia de remilitarização do Caribe no marco da resposta do imperialismo a rebelião crescente dos Povos do continente frente à mundialização neoliberal.

Inscreve-se também em uma estratégia de guerra preventiva frente a uma insurreição eventual e social que viria de um Povo esmagado pela miséria em que se encontra em uma situação de desespero. Denunciamos o modelo aplicado pelo Governo norte-americano e a resposta militar frente a uma trágica crise humanitária. Ao se apoderar do aeroporto Toussaint Louverture e de outras infra-instrutoras estratégicas do país, privaram ao Povo haitiano de uma parte das contribuições que vinham do CARICOM, da Venezuela e de alguns países europeus. Denunciamos o método aplicado e não aceitamos que o nosso país seja transformado em uma base militar.

Nós, dirigentes das organizações e das plataformas iniciadoras dessa gestão, escrevemos-lhes hoje para transmitir nossa primeira analise da situação. Estamos convencidos que vocês – como já têm demonstrado – continuarão acompanhando nosso trabalho e nossa luta no marco da construção de uma alternativa nacional, que será fonte do renascimento de nosso país golpeado por uma catástrofe horrível e que lutará para sair do ciclo da dependência.


Porto Príncipe, 27 de janeiro de 2010.



pelo Comitê de coordenação:


Sony Estéus - Diretor SAKS

Camille Chalmers - Diretor PAPDA

Marie Carmelle Fils-Aimé – Officier de Programme ICKL

Pelas organizações e plataformas que participam dessa iniciativa:


Marc Arthur Fils-Aimé, Institut Culturel Karl Léveque (ICKL)


Maxime J. Rony, Programme alternatif de Justice (PAJ)


Sony Estéus, Sosyete Animasyon ak Kominikasyon Sosyal (SAKS)


Chenet Jean Baptiste, Institut de Technologie et d’animation (ITECA)

Antonal Mortimé, Plataforma de Organizações Haitianas de Direitos Humanos (POHDH) que agrupa: Justice et Paix (JILAP), Centre de recherches Sociales et de Formation pour le Développement (CRESFED), Groupe Assistance Juridique (GAJ), Institut Culturel Karl Léveque (ICKL), Programme pour une Alternative de Justice (PAJ), Sant Karl Lévèque (SKL), Réseau National de Défense des Droits Humains (RNDDH), Conférence haïtienne des Religieux (CORAL-CHR)


Camille Chalmers, Plataforma haitiana de Advocacia por Desenvolvimento Alternativo (PAPDA) que agrupa : Institut de Technologie et d’animation (ITECA), Solidarite Fanm Ayisyèn (SOFA), Centre de Recherches Actions pour le Développement (CRAD), Mouvaman Inite Ti Peyizan Latibonit (MITPA), Institut Culturel Karl Léveque (ICKL), Association Nationale des Agroprofessionnels Haïtiens (ANDAH).

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Indicação de Livro sobre o Haiti


Prezados companheiros este livro foi realizado por dois camaradas que estiveram no Haiti, e mostram suas experiências neste país de uma forma bastante lúcida da realidade e da luta do povo haitiano, vale muito ler.  

O Haiti tem que ser livre

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Movimentos sociais do Rio de Janeiro organizam “Frente de Solidariedade com o povo do Haiti”

Eduardo Araujo, do Rio de Janeiro 
Blog Quilombo Raça e Classe da Conlutas
 
No último dia 18, representantes de vários movimentos socais realizaram, com a presença de cerca de 40 ativistas, uma reunião no Sindicato dos Petroleiros - SINDIPETRO-RJ, para a organização do comitê na cidade. 
Na reunião, verificou-se a necessidade de se realizar o quanto antes o lançamento da campanha, que foi realizada, com uma panfletagem, com faixas e carro de som, para a sexta dia 22-01.
O ato, que ocorreu na Cinelândia, em frente  à Câmara Municipal, contou com a presença de 80 ativistas, que distribuíram à população cerca de 3 mil panfletos e se revezaram nas intervenções, com a palavra de militantes de diversos movimentos populares, sindical, de mulheres, dos partidos e do movimento negro.
O Coletivo Quilombo Raça e Classe, da Conlutas, esteve presente, tendo uma participação importante desde a organização do comitê até a realização do ato.
Foi Como disse Júlio Condaque, militante da Secretaria de Negros e Negras do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) e membro da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas).
"O Brasil vem cumprido a missão da Minustha-ONU, para treinar seus soldados nas ruas e favelas de Porto Príncipe, para depois aplicar nas favelas cariocas o que aprenderam, é a política de extermínio do Estado brasileiro ao povo negro, criminalizando os movimentos sociais que resistem a isso, como vem ocorrendo no Haiti e vemos frenquentemente nas ações de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro", concluiu Júlio.
 
Solidariedade, sim. Invasão militar, não!
Desde a ocupação da Minustha ao Haiti em 2004 dezenas de trabalhadores e camponeses vem se organizando para que as tropas de ocupação da ONU saiam de seu país. O Brasil, com envio de forças militares àquele país, vem cumprindo um papel importante na sustentação da ocupação militar estrangeira, cumprindo a função de força auxiliar de países imperialistas como Estados Unidos e a França, no que tange a exploração do povo haitiano e das suas riquezas, através das chamadas maquilas (áreas em que empresas estrangeiras podem explorar a mão-de-obra mais barata das Américas, aplicando leis próprias, inclusive contratando empresas de "segurança" ou até mesmo contando com a ajuda das tropas de ocupação para reprimir qualquer organização sindical desses trabalhadores).
Com a ocorrência do terremoto do dia 12-01-10 o Haiti vem sofrendo bastante com esse golpe da natureza.
Só que agora está sofrendo outro duro golpe, desta vez dos Estados Unidos, com a conivência de Rene Preval, que enviaram mais de 10 mil soldados, podendo ser dobrado, até o final do mês de janeiro.
Perguntamos: por que não enviam médicos, enfermeiros, engenheiros, arquitetos, ou mesmo máquinas(!), ao contrário do que o Ministro da Defesa de Lula vem defendendo - a prorrogação do "acordo" de ocupação ao país caribenho por mais cinco anos.
Muitos relatos de militantes e ativistas no Haiti vem denunciando que as tropas militares não estariam ajudando na reconstrução, mas sim na segurança aos ricos do Haiti, iclusive se omitindo do salvamento das vítimas dos escombros dessa catástrofe. Estão sim sendo usadas pelo imperialismo para aprofundar a exploração e a repessão aos movimentos sociais haitianos que resitem à ocupação.
O imperialismo, contando com a ajuda do Brasil - pois até agora nenhum país assegurou o cancelamento total da "dívida" externa do Haiti sem impor condições - está mais uma vez disposto a transformar o Haiti em uma área livre para a exploração não só de seu povo, mas agora livre de impostos para a instalação de fábricas, como o empenho da Coteminas de José Alencar, ou como até mesmo disse o Presidente Lula, transformar o Haiti numa grande plantação de cana para produção do etanol, mostrando que o interesse no Haiti é garantir a exploração capitalista. 
A formação da FRENTE DE SOLIDARIEDADE COM O POVO DO HAITI, para desenvolver campanhas de solidariedade, contra a militarização e a retirada das tropas da Minustha, se forjou através de uma plenária que se realizou em São Paulo no dia 18-01, em que diversos setores dos movimentos populares e sindicatos, com cerca de 23 orgaizações, e que a Conlutas faz parte, junto com Jublieu Sul, Via Campesina, Comitê Pró-Haiti e Cáritas, entre outras.
Inclusive por já ter enviado diversos companheiros ao Haiti, a Conlutas vê como prioritária essa campanha, pois fica cada vez mais urgente que as organizações de trabalhadores brasileiros e haitianos e de todas as américas na Campanha pela retirada das tropas militares brasileiras e estrangeiras seja uma campanha de solidariedade de classe, pois a retirada da Minustha do Haiti significaria uma vitória do movimento social de todo o continente, pois a reconstrução do país passa prioritariamente coordenada pelos prórpios haitianos.
 
Multiplicar os comitês
Por isso é fundamental que cada companheiro, não só no Rio de Janeiro, como também ativistas e militantes de diversos Estados, estejam envolvidos nessa campanha, pois a história do país que realizou a primeira revolução de escravos vitoriosa das Américas, que derrotou o exército de Napoleão, nos mostrou que é possivel transformar a realidade adversa através da organização e mobilização dos trabalhadores contra o imperialismo.
Organize em sua cidade um comitê de solidariedade, recolhendo bônus para a campanha financeira, organizando atos denunciando a ação das tropas brasileiras e estrangeiras no Haiti. Portanto fique atento no calendário proposto pela FRENTE DE SOLIDARIEDADE COM O POVO DO HAITI, veja o calendário, ou entre em contato com a Conlutas, o importante é participar.
DIA 23 DE FEVEREIRO - Próxima Reunião Nacional de Solidariedade ao Povo Haitiano
DIA 21 DE MARÇO - Mobilização Nacional - Dia Internacional para a eliminação da discriminação racial
DIA 22 DE MARÇO - Haiti Livre e Soberano

 
Fontes:
Resumo e Encaminhamento da Reunião Nacional - 18-01-10
Resumen de la Ponencia de PAPDA-Jubileo SUR
www.conlutas.org.br

sábado, 23 de janeiro de 2010

Haiti Urgente – Solidariedade

Conta Especifica para Campanha Solidariedade ao Povo Haitiano


Às Entidades, oposições, movimentos e ativistas.


Escrevemos a todos e todas em caráter de urgência para solicitar contribuições financeiras imediatas a todas as entidades e militantes para que possamos enviar para nossos companheiros de Batay Ouvrie. Conseguimos finalmente contatos com Didier e tanto ele quanto Raquel sua companheira, estão bem. Carole que esteve conosco nas atividades em julho último também esta bem.

Nossos companheiros relatam de maneira concreta a luta pela vida que temos visto pelas cenas da imprensa. A luta dos companheiros que buscam cuidar de seus feridos, garantir sua sobrevivência mas em uma lógica de resgatar sua organização. O funcionamento coletivo, a organização e participação popular, única forma de se contrapor a ofensiva hipócrita do imperialismo, travestindo de ajuda humanitária o envio de mais tropas militares para monitorar e controlar o povo haitiano. Agora com o imperialismo norte americano mostrando quem manda de fato. O envio de 10.000 militares norte americanos com os mariners à frente cuja especialidade nunca foi salvar vidas em nenhum lugar do mundo, é mais do que simbólico.

Queremos fazer uma campanha nas bases de nossas organizações, de solidariedade de classe. Chamando a contribuição dos trabalhadores brasileiros para os trabalhadores haitianos, que ao mesmo tempo mantenha a denúncia da ocupação militar que ganha novas proporções. Mas essa campanha, com material na base, arrecadação de contribuição nas empresas, universidades ou votadas em assembléias, com uma idéia do tipo “um dia de salário para os povo haitiano”, absolutamente necessária, vai demorar para conseguirmos recursos mais imediatos como estão necessitando os companheiros.

Por isso queremos que cada entidade, movimento e organização discuta até a semana que vem contribuição direta de seus recursos normais para que possamos enviar.

Para isso abrimos uma conta bancária específica para depósito das contribuições a serem enviadas a Batay Ouvriey. Isto nos permitirá divulgar posteriormente, o extrato desta conta às entidades que contribuíram bem como a prestação de contas em relação à Campanha.

Solicitamos às entidades, oposições, movimentos e ativistas que por ventura tenham realizado contribuições na conta da Conlutas, que nos enviem identificação do depósito com data e valor, para que possamos dar o devido encaminhamento.

Aguardamos retorno de todos.

Conlutas
Secretaria Nacional Executiva
São Paulo, 19 de janeiro de 2010.

Abaixo segue o número da conta.


Favorecido: Coordenação Haiti


Banco do Brasil
Agência 4223-4
Conta 8844-7

Haiti e a militarização nossa de cada dia

21/01/2010


publicado em http://carosamigos.terra.com.br/

Por Sandra Quintela

Colômbia com mais sete bases militares. Honduras sob um golpe militar legitimado por uma eleição sem legalidade. A Quarta Frota reativada em 1° de julho de 2008, depois de mais de 50 anos desativada e cuja função é patrulhar o Atlântico Sul. E agora o processo crescente de militarização da ajuda humanitária no Haiti.

No último dia 13 de janeiro, o mundo acordou com uma calamidade de dimensões assustadoras: 1/3 da população de um país, três milhões de pessoas desabrigadas, mais de 100 mil mortos, cerca de 40 mil mulheres grávidas sem a menor perspectiva de um teto para abrigar seus filhos e filhas. A comunidade internacional se movimenta a passos lentos no sentido de responder o quanto antes a essa tragédia: o terremoto do dia 12 de janeiro no Haiti.

Como explicar que a longínqua China envie alimentos que chegam mais rápido que os dos EUA, que está a menos de uma hora de voo de Porto Príncipe? Como explicar que os mais de dois mil fuzileiros navais sejam os primeiros “bens” dos EUA a aportarem nesta ilha caribenha?

Cuba, Venezuela e a própria Comunidade do Caribe (Caricom) imediatamente enviaram seus médicos, pessoal qualificado para desastres dessa dimensão. O avião da Caricom não pode aterrissar no aeroporto Toussaint Louverture, assim como o avião da Força Aérea Brasileira. Tiveram que aportar em Santo Domingo, na República Dominicana, uma vez que os fuzileiros navais dos EUA tomaram o controle do aeroporto e dos portos haitianos.

Cabe a pergunta: como se fecha portos e aeroportos logo após uma tragédia dessa dimensão em que a comunidade internacional está se mobilizando para o envio de medicamentos, comida e roupas? Fechar portos e aeroportos não compõe uma estratégia de guerra? Assim sempre soubemos.

Desde 2004, o Haiti está ocupado pelas tropas militares da ONU através da Missão de Estabilização do Haiti – Minustah. Desde então, várias organizações nacionais e internacionais têm se posicionado pela retirada das tropas. Após seis anos de permanência no país, pouquíssimo fizeram para a reconstrução do Haiti.

Sabemos que o comando militar dessa missão está sob responsabilidade do Brasil. Por depoimentos já veiculados na mídia, soubemos que as tropas brasileiras estão fazendo do Haiti um campo de treinamento. Como já escrevemos em outros artigos, esses treinamentos servem ao processo de militarização de diversas periferias urbanas. Não é a toa que há treinamentos dessas tropas em favelas do Rio de Janeiro. Elas vão ao Haiti e depois retornam à cidade carioca, como foi o caso da ocupação do Morro da Providência pela Guarda Nacional, em 2008.

Nesse momento de catástrofe, nos perguntamos: que papel está tendo a Minustah? Onde estavam seus soldados nos primeiros dias da tragédia? Os relatos que nos chegam do Haiti são de que a população pobre ficou absolutamente abandonada.

Com o crescente papel dos EUA no processo de militarização da ajuda humanitária no Haiti, nos perguntamos o que faz o Presidente Obama, achando pouco enviar soldados que podem chegar ao número de 14 mil, mobilizar Bill Clinton e George W. Bush para serem os coordenadores do esforço de reconstrução do Haiti.

Como explicar que em um país tão pequeno e tão pobre do Caribe, dois ex-presidentes da maior potência de guerra do mundo – os EUA – sejam designados a cuidar de sua reconstrução? O que está por trás de tudo isso? Em nossa opinião, são estratégias de vários tipos de militarização de nossos países da América. Estamos vendo, ao vivo e em cores, em nome da ajuda humanitária, um país ser ocupado militarmente após uma catástrofe monumental.

Assim, temos que fortalecer o grito de retirada das tropas militares do Haiti. Não se faz ajuda humanitária com tropas militares. O povo haitiano, através de suas organizações e movimentos sociais, precisa ser apoiado para que sua voz fale mais alto no processo de reconstrução do país.

Desde última segunda- feira, (18/01) foi constituída no Brasil a Frente Nacional de Solidariedade ao povo haitiano formada por movimentos sociais do campo e da cidade, por centrais sindicais, pastorais sociais, movimento negro, de mulheres, enfim, um espectro amplo de organizações da esquerda brasileira. A tarefa central é trabalhar a ajuda direta junto a organizações sociais haitianas e pela retirada das tropas militares. Muito trabalho existe pela frente. A reconstrução do Haiti vai ser lenta. Mas, não esqueçamos a dívida histórica que todos temos com este país. O Haiti foi a primeira nação do mundo a abolir a escravidão. Será que é esse o seu pecado?


Sandra Quintela, economista, é integrante do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)/ Rede Jubileu Sul

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Diante da tragédia o povo haitiano não deixa de lutar pela vida

15/01/2010

Haiti

Apesar da falta de recursos que demoram a chegar, a população não esmorece e batalha pela sobrevivência


“A desgraça de lá está sendo boa pra gente aqui, ficar conhecido”, este foi o relato do cônsul do Haiti no Brasil, Gerge Samuel Antoine, para uma emissora de TV. Sem saber que estava sendo gravado deixou escapar sua verdadeira definição sobre a tragédia. Isso demonstra com clareza a real intenção das autoridades: se promover com a desculpa de ajuda humanitária.

Foi divulgado na grande imprensa que a Organização as Nações Unidas (ONU) distribuirá alimentos para apenas 8 mil pessoas, com o pretexto de que seus armazéns foram saqueados. As especulações de que a violência no país aumenta, visam manter a impressão que o país precisa de soldados para instalar a ordem. Diante da fome e sede, o povo haitiano procura se virar como pode, enquanto a ajuda não vem.

Já começam a ser divulgados furtos e saques no país, para que assim a imagem do Haiti se torne favorável a continuidade das tropas estrangeiras (Minustah). Porém quando o furacão “Katrina” atingiu EUA, também houve saques e furtos, e nem por isso se justificou a presença de militares estrangeiros no país. Diante de tamanha tragédia e sem perspectivas, o sentimento que propagada não é o da violência e sim da sobrevivência.

O povo haitiano enfrenta mais uma catástrofe e mesmo diante de condições tão alarmantes buscam forças para prosseguir e se levantar. O primeiro povo negro a conquistar a independência de seus escravos, explorado por séculos, não desistiu de seu país.


Relatos do estudante Rodrigo Bulamah, retirados do blog de pesquisadores da Unicamp que estão no Haiti, demonstram um povo guerreiro e que ainda encontra forças para se reerguer. “O que vemos hoje em Porto Príncipe, dois dias após o terremoto é um exemplo indescritível de civismo e ajuda. Não há o caos, como parte dos jornalistas que nos procuram quer ouvir, as pessoas não estão em desespero e nem há sinal da barbárie imaginária que molda o nosso preconceito sobre o Haiti. Os haitianos estão se virando como sempre fizeram após embargos e avanços econômicos internacionais que implodiram a produção local”.


Segundo o estudante existe a destruição, morte e falta de recursos, mas o povo haitiano está encontrando meios para contornar essa situação. “Vimos um acampamento imenso. Pessoas organizadas, fazendo comida, tomando banho, lavando roupa. Nem sinal da ajuda internacional que enche a boca de tantas autoridades. Espera-se o espetáculo da destruição para depois chegar ao espetáculo da cooperação internacional”.


Os relatos continuam, e o que se constata, é que o povo cansou de esperar pelas autoridades burguesas. “As pessoas estão removendo escombros das próprias casas e da vizinhança, barracas cobertas foram improvisadas para abrigar pessoas. Vemos médicos haitianos espalhados pela cidade fazendo um trabalho de formiga”.


A Conlutas reforça que se deve continuar a cobrar do governo brasileiro o fim da ocupação militar do Haiti, e que os recursos utilizados para sustentar a tropa de ocupação seja revertido para ajudar o povo haitiano. E chama aos sindicatos e organizações dos trabalhadores do Brasil a se mobilizarem em solidariedade ao Haiti.


Redação Conlutas

AS SEMPRE LÁGRIMAS HAITIANAS

João Luis Duboc Pinaud - janeiro 2009


Estranhomencionar negatividades a respeito de um povo especialíssimo, dotado força libertáriae criativa, que se expande em mil modalidades de alegria, cor, música eexpansiva beleza, embora ainda mantido preso nas tantas grades dos interesses externos. Esta cena de inviabilidade política, nocurso do século 21 revela inaceitável condenação a morrer previsto, metódico,frio, crudelíssimo e sem apelos. Inaceitável absurdo resvala para airracionalidade, pois esta insanidade política atinge povo em plena expansão daprópria vitalidade, rara explosão dos cantos, traduzindo força, alegria, dança esperançase possibilidades imediatas de afirmação. E a insanidade desta situação emanifesta posto que este povo, como palavra e realidade, detém em si mesmo,qual tesouro mal pressentido, a energia toda que uma Nação consegue magicamentedeter.

No curso do anode 2005, o JUBILEU SUL promoveu, com o Prêmio Nobel da Paz Adolfo PerezEsquivel e Nora Cortines (Madres da Praça de Maio), congregando ainda representantesde valiosas instituições (PACS, CONIC, MST, VIA CAMPESINA), a MissãoInternacional que esteve no Haitiverificando circunstância política do povo haitiano, seu contextohistórico-social, a luta pela autodeterminação e a legitimidade da presença(bélica) de outro tipo de missão humanitária da ONU.


Não pretendemos repetir o Relatório elaborado pela já referida e verdadeira Missão promovidapelo JUBILEU SUL, mas apenas registrar aspectos que merecem ser conhecidos pelacomunidade internacional:


I. A ajuda efetiva ao Haiti tem vindo da sociedadecivil de vários países;

II. A“Missão Humanitária” mantida pela ONU (o Brasil figura como seu chefe) significourepressão aos movimentos sociais haitianos nas suas legítimas reivindicaçõespor condições mínimas de sobrevivência e dignidade;


Este ponto exige– para mostrar claramente a gravidade do problema – algumas informações, asaber:


a) Existem atualmente 18 (dezoito) zonas francas nesta pequena ilhamontanhosa (14 existentes no ano de 2005, onde estão instaladas as chamadas“indústrias da agulha” (têxteis);


b) tais indústrias não prescindem do esforço humanoe o remuneram com salários vis (30 dólares mensais) para manter altas taxas delucro e competitividade no mercado mundializado. Não pagam nenhum imposto aogoverno haitiano. São fortemente guardadas por seguranças armadas;


c) qualquer movimentaçãopor melhores salários é violentamente reprimida;


d) no dia 1º de maio de 2009,manifestação popular registrou mortes de trabalhadores


e) 80 % da população haitiana está desempregada e viveabaixo da linha da pobreza. Qualquer movimento partindo dessas massasdesesperadas e criminalizadas provoca violenta repressão apoiada pela MINUSTAH. Permanecendo tais condições imorais nas indústriasdas zonas francas, sob guarda da MINUSTAH, o povo haitiano não conseguirá obternenhum avanço em direção a uma vidadigna, direito do qual todo ser humano deve ser portador. O terremoto recente tornouvisíveis as precariedades das condições, imoralmente mantidas do viverhaitiano. Espera- se que, pela gravidade revelada, ingresse finalmente, napauta internacional das urgências, o apoio imediato ao Haiti.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Foto do Haiti após terremoto que arrasou o país



fonte: http://www.estadao.com.br/fotos/HAITI_REUTERS(1).jpg


Terremoto pode ter matado milhares no Haiti; 4 brasileiros morrem

por Joseph Guyler Delva

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Um forte terremoto abalou o Haiti, possivelmente matando milhares de pessoas, entre elas ao menos quatro militares brasileiros que servem na força de paz da ONU no país, e provocando o desabamento do palácio presidencial e de favelas da cidade.

O Brasil lidera as tropas de paz da ONU no Haiti e participa da Minustah com 1.266 militares. O contingente total da missão é de 9.065 pessoas, sendo 7.031 militares, segundo dados de novembro.

Nesta quarta-feira, o Exército brasileiro informou que os quatro militares mortos são do 5o Batalhão de Infantaria Leve sediado em Lorena, interior de São Paulo. Ao menos outros cinco militares brasileiros ficaram feridos.

O general Carlos Alberto Neiva Barcellos, chefe do setor de comunicação social do Exército, disse a jornalistas que há grande número de militares brasileiros desaparecidos após o terremoto.

O Itamaraty informou na terça-feira que o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que expressou "preocupação" com os brasileiros no Haiti e manifestou sua solidariedade ao povo local.

A chancelaria brasileira disse à Reuters que o contato telefônico com representantes na capital haitiana está "muito difícil", mas que "vai tomar providências no sentido de verificar se há brasileiros (entre os mortos e feridos)."

Um prédio de cinco andares usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) desabou na terça-feira por causa do terremoto de magnitude 7, o mais forte a atingir o Haiti em mais de 200 anos, segundo o Centro Geológico dos Estados Unidos.

Imagens da Reuters Television na capital haitiana, Porto Príncipe, mostraram cenas de caos nas ruas e pessoas soluçando em meio aos escombros.


- Zilda Arns morre em terremoto no Haiti


SÃO PAULO (Reuters) - A fundadora da Pastoral da Criança Zilda Arns, de 73 anos, é uma das vítimas do terremoto de terça-feira no Haiti, confirmou nesta quarta-feira o gabinete do senador Flávio José Arns (PSDB-PR), sobrinho da médica pediatra e sanitarista.

"Realmente ela estava (em Porto Príncipe)", disse Maria José Camargo, assessora do gabinete do senador.

"Ela estava caminhando com um militar na rua... Teve o terremoto e os escombros a pegaram", afirmou acrescentando que o militar também morreu.

(Reportagem de Silvio Cascione)


fonte: Agência Reuteus e Agência Brasil

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Cartas do Haiti

No sexto dia, Eduardo Almeida visita comunidades de camponeses exploradas pela empresa que produz o licor Contreau e descobre a mística da união entre os trabalhadores.

Direto do Haiti, em San Rafael, duas horas de carro de Le Cap. Estamos em uma das passagens para a planície central do Haiti, uma zona usada pelos escravos na revolução como zona de refúgio. Hoje, San Rafael é centro de toda uma área de terras ocupadas por camponeses já há mais de vinte anos, com inúmeras lutas e prisões. Reúnem cinqüenta mil pessoas, em cinco comunidades, sob a direção de Batay Ouvriyé (Batalha Operária). Nesse momento um de seus líderes, Elio Pierre, está preso há seis meses.

Sou recebido pela coordenação das cinco comunidades. A reunião é debaixo de uma grande árvore. Sombra garantida em um dia quente. Era para ter umas vinte pessoas, mas aos poucos vão se juntando os ativistas que estavam por ali. No final, estão sentados comigo quase cinqüenta camponeses.

O primeiro fala com voz mansa como a luta pela terra começou junto com a revolução. Toussaint Loverture foi o general da independência, mas era também o representante das novas classes dominantes negras. A referência histórica de muitos por aqui era Moisi, um dos generais da libertação, o dirigente dos cimarrons , os quilombolas daqui, escravos fugidos que formavam comunas no interior. Moisi terminou sendo morto pelo próprio Toussaint, mas a luta seguiu desde então, até os dias de hoje.
Outro conta a luta deles em Guacimal em 2002. A Cointreau, multinacional francesa, planta aqui as laranjas amargas com que faz um de seus licores mais famosos. Os trabalhadores são operários por seis meses (colhendo as laranjas e semeando novamente), e camponeses pelos outros seis meses. Nesse segundo período, trabalham nas mesmas terras para sua própria subsistência. A multinacional impôs que lhe dessem a metade de sua produção como camponeses.

Houve então uma luta duríssima, que durou vários meses, com muitos presos. Em um dos enfrentamentos morreram dois trabalhadores, Ipharés Guerrier e Fransilyen Eximé. A multinacional só recuou quando os mesmos camponeses, já transformados em operários se recusaram a colher a laranja da safra seguinte. A vitória de Guacimal ajudou a organizar as outras ocupações, e até hoje os mortos são reverenciados.
Eles contam como os latifundiários estão se organizando de novo para tentar tomar suas terras de volta, agora ajudados pela Minustah. Existe um tom de revolta ancestral, secular nessas vozes. Quando um fala, outro apóia, terminam quase num coro. Deram sua vida pelas terras que ocupam, e vão seguir dando. Senti de perto o pulso da história, o hálito da revolução nesses camponeses simples, sentados em volta de uma velha árvore.

Me escutam atentamente quando lhes falo como Lula está ampliando o agronegócio no Brasil, e não faz nada pela reforma agrária. Como engana os trabalhadores brasileiros com o papel “humanitário” da Minustah. Ficaram alegres quando lhes propus uma luta comum contra a Minustah e o apoio à luta pela libertação de Elio Pierre.

No final, uma cena bem semelhante às do MST no Brasil. Vários deles trouxeram uma grande pedra para o meio da roda. Um de seus líderes pediu que um dos presentes tentasse erguer a pedra. Vários tentaram sem conseguir, por seu peso enorme. Sugeriu então que dois tentassem. Conseguiram, com muito esforço. Depois, quatro pessoas- eu inclusive- levantaram a pedra com facilidade.

O coordenador falou então para mostrar como só podiam ser vitoriosos se estivessem juntos, e que mesmo a prisão de Elio Pierre poderia ter sido evitada se a reação fosse mais forte. Não falava à toa. Eles já tiraram da prisão na marra a vários de seus líderes. A lição serve para trabalhadores de distintos países, como o Brasil e Haiti.


Fonte:
www.conlutas.org.br

sábado, 12 de dezembro de 2009

Enquanto isso no Haiti...

Haiti Libre!

Más 400 militares brasileños acompañados de policiás haitianos atacaron a la madrugada un Barrio de Cité Soleil -llamado Bois Neuf- provocando, según cifras oficiales, 9 muertos. Pero testigos de la barbarie afirmaron que las personas asesinadas superaron la cifra de 20 y las heridas la de 80. Entre ellas aparecieron cadáveres de varios niños. Ese ataque, que duró varias horas, se realizó con blindados, fusiles automáticos de gran poder, helicópteros, etc., causando una verdadera tragedia entre los 300.000 habitantes de Cité Soleil, quienes viven en casitas de cartón, chapas, etc. Fue un ataque contra los más pobres de los pobres haitianos, bajo el falaz argumento o pretexto de eliminar a un grupo de bandidos que viven del secuestro.

Las tropas de la MINUSTAH "ganándose" el corazon de los haitianos


Fenómeno que, curiosamente, luego de 2 años de permanencia de la MINUSTAH (Misión de las Naciones Unidas para la Estabilización de Haití) dirigida militarmente por Brasil, se transformó, sobre todo en los últimos meses del año 2006, en la industria más próspera que funciona en Haití. Toda una realidad que demuestra claramente la inoperancia de esa fuerza de ocupación.

Cabe recordar que desde su imposición en junio de 2004, los pobres en Haití manifestaron su rechazo a la presencia de la MINUSTAH. Y en los últimos meses del año que acaba de terminar con ese nuevo baño de sangre entre los condenados de nuestra tierra, dicho rechazo se transformó en una constante de la vida política del país. La única respuesta hasta ahora ofrecida por esos serviles del imperialismo norteamericano ha sido: PLOMO Y MÁS PLOMO. Así piensan que pueden seguir ocupando nuestro país imitando los ejemplos de sus jefes en Irak. Así también piensan proyectarse como país emergente o potencia emergente capaz de manejar una crisis utilizando los mismos mecanismos empleados por el máximo terrorista del mundo, George W. Bush. Con esos méritos o certificados de asesinos a sueldo, los dirigentes brasileños aspiran a obtener un puesto permanente en el Consejo de seguridad de la ONU.

Sin duda alguna, la supuesta imagen de progresista que los partidarios del presidente Lula le colocan, cae en mil pedazos ante tales hechos propios de un fascista. En este sentido, cabe a los verdaderos progresistas brasileños pronunciarse al respecto acompañando al pueblo haitiano en su exigencia de RETIRO INMEDIATO DE LA MINUSTAH. Pues nadie puede ufanarse de progresista asesinando a pobres y niños de otro país, violando la soberanía de otro país e ignorando el derecho a la autodeterminación de otro pueblo para satisfacer intereses mezquinos y viles y obedeciendo ciegamente al imperialismo norteamericano.

Se trata de una respuesta urgente, ya que evitará más muertes y, al mismo tiempo, demostrará con hechos y no sólo con lindos discursos que la solidaridad no puede ser selectiva. Una solidaridad que los primeros dirigentes de nuestro país como Dessalines y Pétion ofrecieron generosamente a Miranda, Bolívar y tantos otros. Invitamos a los dirigentes brasileños a revisar más a fondo la verdadera historia de nuestra región, pues allí, sin duda alguna, encontrarán datos sorprendentes capaces de ayudarles a profesar un mínimo de respeto hacia el pueblo haitiano. En nombre de ese internacionalismo revolucionario -prácticamente inimaginable para la época- desplegado por los haitianos luego de la proclamación de nuestra Independencia, exigimos el fin de las matanzas y el retiro inmediato de la MINUSTAH.



¡¡ABAJO LA OCUPACIÓN!!

¡¡FUERA LA MINSUTAH DE HAITÍ!!

¡¡VIVA LA LUCHA DEL PUEBLO HAITIANO!!

Henry Boisrolin
Coordinador del Comité Democrático Haitiano en Argentina